[Review] SSD Ramsta S600 – 480GB


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Olá! No post especial de 11 anos do blog, comentei que publicaria um “review específico”, e chegou a hora. Este não é o retorno do blog (ou não) – resolvi escrever sobre o Ramsta S600 por não haver praticamente nada na Internet (nem mesmo fora do Brasil) sobre ele. A intenção é ajudar quem descobriu este SSD e quer comprá-lo, mas tem cá suas dúvidas. Eu tentei a sorte, comprei e conto minhas impressões neste review.

Ramsta? É de comer?

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Não é só você: praticamente ninguém no Brasil – quiçá no mundo – havia ouvido falar nessa tal de Ramsta até abril de 2018. Em maio de 2018, o meu primeiro contato com a marca foi em um grupo de promoções no Telegram, que em 16/05 anunciou uma promoção deste SSD. No momento que escrevo este post, duas lojas chinesas conhecidas pelos brasileiros (Gearbest e Banggood) não possuem nenhum produto da marca em seus catálogos. A pesquisa pela marca no AliExpress já retorna alguns produtos (em maio de 2018 não havia nada), mas boa parte deles ainda não tem nenhum pedido.

Precisei revirar a Internet para decidir pela compra do produto, já que não haviam reviews nem vídeos no YouTube. Tudo que se encontrava eram sites gringos de cupons divulgando o preço, mas com descrições genéricas. O máximo que encontrei foi esta página, onde pessoas reais falavam sobre o produto e a marca – mas nada muito esclarecedor. O jeito foi comprar no escuro e torcer para o melhor.

Segundo o site oficial, registrado em 2015, em 2010 foi fundada em Hong Kong a Swiss International, uma das principais fabricantes de equipamentos de semicondutores do mundo, dedicada à pesquisa e desenvolvimento de produtos de armazenamento de ponta e de ponta, a qual montou um centro de pesquisa e desenvolvimento em Taiwan. A fim de desenvolver rapidamente todo o mercado da China continental, foi criada a Ramsta em 2016 em Shenzhen, na China. A Ramsta atualmente atua no mercado de SSDs, memórias flash e outros produtos de armazenamento, especialmente módulos DARM. Ainda segundo o site oficial, a equipe de pesquisa e desenvolvimento da empresa tem mais de 10 anos de experiência.

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A Ramsta gosta bastante de vermelho e suas memórias RAM são bem… estilosas.

Embalagem

Como boa parte dos produtos chineses de marcas minimamente dignas, a embalagem do Ramsta S600 é bonita, bem acabada e já dá uma boa primeira impressão do produto. Ela não traz nada adicional, apenas o próprio SSD – portanto, você deverá providenciar um cabo SATA para conectá-lo ao desktop ou notebook.

Características e especificações técnicas

 

O Ramsta S600 é super leve e compacto (como qualquer SSD de 2,5′). Em tempos de PC gamer, seu chamativo vermelho sangue certamente agradará a muitos.

  • Modelo: S600
  • Armazenamento: 60GB, 64GB, 120GB, 240GB, 320GB, 360GB e 480GB (modelo utilizado neste review)
  • Padrão de tamanho: 2,5′
  • Dimensões (mm): 100,0 x 69,9 x 7,0
  • Cor: vermelho
  • Controladora: SMI
  • NAND: TLC
  • Temperatura de operação: 0ºC à 70ºC
  • Temperatura para armazenamento: -40°C à 85°C
  • 3 anos de garantia (mas talvez você não consiga utilizá-la por estar no Brasil)

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Na página do produto, a Ramsta destaca algumas características (traduzido com auxílio do Google Translate):

  • Corpo de metal;
  • À prova de choque;
  • Resistência à altas e baixas temperaturas;
  • Resistente à eletricidade estática;
  • Maximiza a correção de bits com erro;
  • Proteção contra perda de metadados por falta de energia;
  • RAID ECC com verificação XOR avançada;
  • Otimizado para operar com Windows.

Performance

Para testar a performance do Ramsta S600 utilizei o software HD Tune Pro (pago), uma verdadeira suíte que permite diagnosticar problemas, checar o status e realizar diversos tipos de testes em unidades de armazenamento – sejam HDs, SSDs ou pendrives.

Os testes a seguir foram feitos assim que o Ramsta S600 foi instalado na máquina, antes mesmo de instalar o sistema operacional.

Cenário de testes: os testes do SSD foram feitos em um desktop com as seguintes configurações:

  • Placa mãe: ASUS Prime B250M-Plus/BR
  • Processador: Intel Core i3 7100 3,9GHz
  • Memória RAM: 8GB DDR4 Corsair
  • Placa de vídeo: Nvidia GeForce GTX 1050TI – Gigabyte

Checagem por erros
O primeiro teste foi feito para checar erros no SSD. O HD Tune verificou o disco em blocos de 183MB. Nenhum erro foi encontrado (quando há erros, os respectivos blocos ficam em vermelho).

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Testes de Leitura e Escrita
Para ter uma “segunda opinião”, utilizei dois softwares para os testes de leitura e escrita: HD Tune Pro e o popular (e gratuito!) CrystalDiskMark.

No teste de escrita, o HD Tune Pro gera um arquivo fictício do tamanho do armazenamento do SSD e mede a velocidade da escrita. Neste teste, os resultados foram:

  • Velocidade máxima de gravação alcançada: 302,9MB/s
  • Velocidade mínima de gravação alcançada: 239,0MB/s
  • Velocidade média de gravação: 256,6MB/s.
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Teste de escrita no HD Tune Pro.

Já no teste de leitura, como esperado, os números foram maiores:

  • Velocidade máxima de leitura alcançada: 449,6MB/s
  • Velocidade mínima de leitura alcançada: 317,4MB/s
  • Velocidade média de leitura: 406,4MB/s
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Teste de leitura no HD Tune Pro.

Por sua vez, no CrystalDiskMark os resultados oscilam bastante de acordo com o tipo de teste realizado. Na imagem à seguir temos um comparativo entre o Ramsta S600 e o Kingston A400 – cortesia do HDDMag. O A400 possui especificações técnicas bem parecidas com o S600, por isso a comparação. Cabe esclarecer que, na figura a seguir, o print da direita foi ajustado em relação ao original: ocultamos as velocidades de escrita porque elas não podem ser comparadas, já que a Kingston informa que o A400 de 120GB possui uma velocidade de gravação menor que a versão de 480GB. A comparação justa seria com o modelo de 480GB do A400, mas não encontrei nenhum na Internet para comparar. Segundo a Kingston, a velocidade de leitura do A400 de 120GB é a mesma do A400 de 480GB (“até 500MB/s”) então, teoricamente, a comparação das velocidades de leitura é justa. Repare que o SSD da Ramsta leva vantagem em 2 dos 3 testes.

Ramsta x Kingston
Testes de leitura e escrita com o CrystalDiskMark.

O CrystalDiskMark possui quatro tipo de testes:

  • Seq Q32T1: Leitura e escrita senquecial com fila de 32 e 1 thread, usando tamanho de bloco de 128KB;
  • 4K Q8T8: Leitura/escrita randômica de 4KB com fila de 8 e 8 threads;
  • 4K Q32T1: Leitura/escrita randômica de 4KB com fila de 32 e 1 thread;
  • 4K Q1T1: Leitura/escrita randômica de 4KB com fila de 1 e 1 thread;

Curiosamente, não encontrei no site da Ramsta informações sobre a velocidade de leitura e escrita do S600 – uma informação bem importante, por sinal. Na GeekBuying, onde comprei o SSD, a informação é que a velocidade de leitura é de até 550MB/s e de escrita até 440MB/s. Como vimos, a leitura não alcançou 550MB/s em nenhum dos testes, a gravação também não alcançou os 440MB/s supostamente prometidos pela fabricante. Mas não se preocupe: dificilmente é possível atingir a velocidade de leitura e escrita vendida pelas fabricantes, embora o modelo da Kingston tenha chegado mais perto (500MB/s de leitura prometidos contra 482,3MB/s alcançados em um dos testes pelo CrystalDiskMark).

Observação sobre a memória flash NAND tipo TLC

O Ramsta S600 utiliza a memória flash NAND do tipo TLC. Resumidamente, o TLC chegou ao mercado com o intuito de diminuir o custo dos SSDs e é destinado ao usuário doméstico pois sua durabilidade é menor que os outros tipos (MLC e SLC), bem como sua velocidade também pode ser menor devido a taxas de erros ser maior (quanto aos erros, não se preocupe: o controlador do chip TLC possui um mecanismo de correção de erros que os detecta e automaticamente os corrige. No entanto, localizar e corrigir os erros leva tempo, refletindo em um menor desempenho). Um artigo super detalhado sobre os tipos de densidade de memória do Clube do Hardware te ajuda a entender melhor toda essa questão.

Não se desanime: o uso do NAND tipo TLC  não é necessariamente um descrédito para o Ramsta S600. O Kingston A400, citado aqui anteriormente, também usa este tipo de densidade de memória. Cabe a você avaliar se os aspectos negativos do TLC podem ou não lhe impactar no dia a dia.

Vale a pena?

O grande trunfo do Ramsta S600, sem dúvidas, é seu preço. No momento que escrevo este post a versão de 480GB é vendida por R$318 loja chinesa GeekBuying e por preço semelhante no AliExpress. Com cupons de desconto, que aparecem esporadicamente, já foi possível comprá-lo por cerca de R$280. Hoje, com o valor normal (R$318) no Brasil, é possível comprar no máximo um SSD Kingston A400 de 240GB – e isso considerando preços do Mercado Livre.

Dito isso, na minha opinião, o Ramsta S600 vale a pena, sim. Ele entrega o desempenho que se espera de um SSD básico a um preço justo (até demais?). A pergunta que review nenhum irá responder, por enquanto, é quanto à durabilidade – é preciso pagar pra ver.

A boa notícia para quem resolver importar é que SSDs não costumam ser tributados pela alfândega, então você pode comprar sem esperar surpresas. No meu caso, a espera foi de 39 dias (29 úteis) entre a postagem e a entrega.

 

 

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11 anos depois: o que o WindowsNET me ensinou


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Olá, mundo!

Dificilmente os leitores assíduos do blog na época do seu “auge” lerão este post algum dia – no máximo aqueles que me seguem no twitter até hoje ou os que porventura ainda tenham o feed do WindowsNET salvo em seu agregador de feeds (se é que as pessoas ainda usam agregadores de feeds).

Mas, se mesmo assim você que acompanhou o blog entre 2007 e 2010 chegou até aqui, já adianto o meu muito obrigado. Antes de qualquer expectativa: não, este não é o retorno (pretendo escrever um review específico nos próximos dias, mas é algo pontual). Estou aqui para dar um sinal de vida após 8 anos do fim de um blog que começou como um hobby e virou um “trabalho voluntário”, a ponto de exigir de mim o tempo e dedicação que eu não tinha mais.

Em 2007, talvez com o empurrãozinho do lançamento do (nem tão) saudoso Windows Vista, uma série de blogs brasileiros no WordPress começaram a surgir – a grande maioria deles voltado a práticas de personalização no Windows – o chamado “deskMod”. Eram temas pra lá, transformation packs pra cá… como o hardware exigido para o Windows Vista era muito caro para a época, houve um “boom” de gente querendo fazer com que seus guerreiros Windows XP ficassem com o visual mais próximo possível do seu sucessor. E eu, que estava imerso nesse universo, resolvi criar o meu.

O WindowsNET começou com o nome de BlogNET e sem nenhum objetivo – os primeiros posts eram basicamente um compilado de jogos, aplicativos e wallpapers que o Marlon, então com 11 (!) anos, achava legal. Infelizmente a Internet não sabe guardar sua própria história: praticamente nenhum link funciona e as imagens estavam hospedadas em sites que não existem mais. Com um tempo, eu fui pegando o jeito: o foco passou a ser o universo Windows: personalização (temas, ícones, papeis de parede e, claro, os concursos de deskmod, uma febre na época), notícias (as novas builds do Windows 7 e os betas dos softwares da suíte Windows Live eram o que eu mais gostava de cobrir), dicas de softwares utilitários e tutoriais – destaque para o tutorial que ensinou como mudar o papel de parede do Windows 7 Starter, este que é o post mais visualizado do blog até hoje. Mesmo não sabendo nada de técnicas de SEO, este post fez com que o Google trouxesse muita gente pra cá.

Foram anos divertidos. Lendo as postagens antigas atualmente, eu vejo que parecia muito mais legal na minha cabeça do que realmente era. Mas tudo bem. Eu tinha 14 anos e um blog com 4 milhões de visitas, e isso pra mim era algo espetacular. De 2010 até hoje os 4 milhões viraram 7,2 milhões – sem nenhuma postagem nova. De alguma forma este blog foi útil para muita gente, e isso é muito legal.

Haviam muitos outros blogs legais na época, e nenhum sobreviveu. O Blog Windows (foi excluído), do Raul Souza, talvez foi o principal deles. Tinha também o DeskMundo, do Márcio Gomes – que desativou seu blog e veio nos ajudar aqui no WindowsNET, o Suporte XP (o visual do site é um verdadeiro clássico da época. Todo mundo criava suas próprias artes para as seções do site, na parte direita), o highlander H2O DeskMod, do Diego Lima (o blog acabou e voltou diversas vezes, mas acabou também não resistindo), o TechMundo (foi excluído), do grande Thomas Falconi (por onde anda?) , o Windows Blog (foi excluído), do Ulisses, o Robson Costa, do Softwares (excluído), o blog do Rafael Ramos, o do Gabriel Brito (excluído), o clássico “O Que a Internet Não Tem?” (excluído) do Caio Alexandre (que nunca nos deu a resposta para essa pergunta), o Blessedguy, do Mauro… além de Felipe Zorzo, João Berdeville, Mathias Kroyzanovski, Ilton Jr., Matheus Bonela, Vinícius Santana e outros tantos leitores que viraram amigos na época. Menção honrosa ao Neto, que não teve blog mas sempre manteve contato comigo e chegou a fazer parte do blog – no post “Admirável Mundo Novo“, de 2009, o iPhone era novidade, o acelerômetro era uma ideia “muito louca” e os netbooks tinham tudo pra dar certo. Esse post me lembrou o tipo de reflexão/crítica que se vê no Manual do Usuário, do Rodrigo Ghedin. Ele já escrevia em blogs quando só havia mato na Internet, tornou do jornalismo de tecnologia sua profissão e segue até hoje nela. Talvez por ser o precursor de blogs do tipo, ele foi a minha principal inspiração para criar e moldar o WindowsNET.

Este blog até hoje significa muito para mim – é por isso que ele ainda está no ar. Atualmente trabalho em uma conhecida empresa de telecom e inteligência em Florianópolis (e um primo do Rodrigo Ghedin é meu colega, olha que mundo pequeno!) e redigir documentos faz parte da minha rotina. O WindowsNET me fez melhorar bastante as habilidades de escrita e de organização de tarefas. Hoje colho os frutos disso.

Ainda tenho contato esporadicamente com algumas pessoas que conheci nessa época, e a vida de todos tomou rumos completamente diferentes. Enfim. Embora não tenha dado certo, foi ótimo. “O que vale é a jornada, não o destino”, não é?

 

WindowsNET desativado


Como vocês devem ter percebido, o número de novos posts no WindowsNET ultimamente vem caindo. Se em 2007 tinhamos, nos melhores dias, 10 posts em um dia, nas últimas semanas não foram feitos nem 8. Então, como disse o Rodrigo Ghedin, dia desses, “Se é pra fazer, é pra fazer bem feito. Se não, melhor nem fazer”. Então eu acho que será melhor fechar o blog de uma vez por todas do que deixa ele assim, se arrastando, com posts novos a cada 1 semana.

Eu agradeço por cada clique, por cada comentário, por cada participação nas promoções e concursos. Nesses quase três anos de blog, chegamos a incrível marca de quase 4 milhões de visitas. Cara, 4 MILHÕES é MUITA coisa. Mas a gente conseguiu. E graças a vocês.

Estamos num período quente no mundo da informática. Vários lançamentos bastante aguardados estão para sair, como IE9 e Windows Live Wave 4, por isso, o Twitter do WindowsNET vai continuar ativo, trazendo as principais manchetes do mundo da informática em tempo real, com links para a matéria completa vindas dos melhores blogs de tecnologia do país.

É isso. Ficamos por aqui e obrigado por tudo. Fique ligado, a partir de agora, no nosso Twitter!

Pra você que rolou o texto direto pro final pra ver as letrinhas miúdas: Não, isso não é brincadeira de 1º de abril